Os Polímeros
Os poliÌmeros sempre fizeram parte do quotidiano humano. Desde os tempos mais remotos, o homem tem usado poliÌmeros (naturais) como amido, celulose, seda, leca, ceras, entre outros. A partir da primeira metade do seÌculo XX, quando o quiÌmico alemão Hermann Staudinger (1881-1963), pioneiro no estudo da quiÌmica dos poliÌmeros, agraciado com o PreÌ‚mio Nobel da QuiÌmica em 1953, descobriu o processo de polimerização, a siÌntese de poliÌmeros deixou de ser apenas um fenoÌ‚meno natural. Desde então, o estudo dos poliÌmeros naturais e principalmente dos sinteÌticos desenvolveu-se rapidamente.
Seria difiÌcil imaginar o nosso mundo sem a existeÌ‚ncia dos poliÌmeros. Hoje eles são parte integrante do estilo de vida de todos, com aplicações que variam de artigos domeÌsticos comuns, instrumentos cientiÌficos e meÌdicos sofisticados, partes componentes de nave espaciais, proÌteses humanas e muitas outras aplicações. Hoje em dia, os designers e os engenheiros facilmente escolhem os poliÌmeros nas suas aplicações, porque eles oferecem combinações de propriedades e facilidade de processamento que não estão disponiÌveis em qualquer outro material.
Os poliÌmeros oferecem vantagens, tais como leveza, resisteÌ‚ncia mecaÌ‚nica, resisteÌ‚ncia aÌ€ corrosão, solidez na cor, transpareÌ‚ncia, facilidade de processamento, dentre outras, de forma que se pode dizer que, apesar de algumas restrições do seu uso em temperaturas muito elevadas, a sua exploração eÌ limitado apenas pela criatividade do designer.
De maneira generalizada, um sinoÌ‚nimo comum para poliÌmeros eÌ “plaÌstico”. Este nome eÌ derivado da associação com a facilidade de fabricação (plaÌstico = faÌcil de moldar) da maioria dos produ- tos polimeÌricos.
O termo poliÌmero refere-se a uma famiÌlia de materiais que inclui o naÌilon, o polietileno e teflon, o zinco, o alumiÌnio e o aço, que fazem parte da famiÌlia de metais. Este eÌ um ponto importante porque, assim como se aceita que o zinco tem propriedades muito diferentes das do aço, de modo semelhante o naÌilon tem propriedades bastante diferentes das do teflon. Esta analogia eÌ usada para se entender que da mesma forma que existem diferentes tipos de aços tambeÌm haÌ diferentes tipos de polietilenos.
A diferença entre macromoleÌcula e poliÌmero consiste no fato de que no poliÌmero a elevada massa molecular eÌ resultado da soma da massa molecular das unidades formadoras (meros) que se repetem formando as cadeias, enquanto que a elevada massa molecular da macromoleÌcula eÌ con- sequeÌ‚ncia da complexidade molecular, como as macromoleÌculas presentes nos seres vivos (por exemplo, os gliciÌdios, os lipiÌdios, as proteiÌnas e os aÌcidos nucleicos). Desta forma, os poliÌmeros são considerados macromoleÌculas, poreÌm a reciÌproca não eÌ obrigatoriamente verdadeira.
ApoÌs essa observação, veÌ‚-se que os materiais polimeÌricos, antes de sua formação, são constituiÌdos por uma moleÌcula quiÌmica simples e estaÌvel (momoÌ‚mero), que apoÌs ser submetida a uma reação quiÌmica torna-se instaÌvel e sob condições especiais de temperatura e pressão reagem entre si formando cadeias, em que estas moleÌculas quiÌmicas instaÌveis (meros) se repetem continuamente. Assim, as substaÌ‚ncias quiÌmicas que dão origem aos poliÌmeros por reação quiÌmica são chamadas de monoÌ‚meros, e as unidades que se repetem ao longo da cadeia polimeÌrica e que caracterizam a composição quiÌmica do poliÌmero são chamadas de meros.
Para a maioria dos fins praÌticos, um poliÌmero pode ser definido como uma substaÌ‚ncia constituiÌda por moleÌculas longas (macromoleÌculas) compostas de unidades quiÌmicas estruturais simples, denominadas meros. Estes meros são ligados uns aos outros por ligações covalentes e se repetem sucessivamente ao longo da cadeia. Os poliÌmeros são compostos de origem natural ou sinteÌtica com massa molecular de ordem de 104 a 106.
O termo poliÌmero foi criado por Berzelius, em 1832, e significa “muitas partes”, visto que:
» Mero – origina-se da palavra grega meros, que significa parte, elemento;
» Poli – significa vaÌrios, muitas;
Assim, um monoÌ‚mero eÌ uma moleÌcula quiÌmica simples que, quando submetida ao calor e/ou aÌ€ pressão, eÌ capaz de reagir dando origem aos meros, que se combinam originando longas cadeias denominadas poliÌmeros. Para que um monoÌ‚mero possa ter a capacidade de formar poliÌmeros, eÌ necessaÌrio que estas moleÌculas sejam no miÌnimo, bifuncionais, isto eÌ, possuem duplas ligações reativas, dissociadas com a formação de duas ligações simples.
Na verdade, os materiais polimeÌricos não são novos, eles teÌ‚m sido usados desde a Antiguidade. Contudo, nessa eÌpoca, somente eram usados materiais polimeÌricos naturais. A siÌntese artificial de materiais polimeÌricos eÌ um processo que requer tecnologia sofisticada, pois envolve reações de quiÌmica orgaÌ‚nica, cieÌ‚ncia que soÌ começou a ser totalmente desenvolvida a partir da segunda metade do seÌculo XIX. Esses compostos surgiram para imitar os poliÌmeros naturais e deram origem aos chamados poliÌmeros sinteÌticos.
O desenvolvimento de poliÌmeros sinteÌticos e o crescimento da induÌstria de poliÌmeros durante os uÌltimos 80 anos tem sido impressionante. O sucesso comercial dos produtos aÌ€ base de poliÌmeros tem gerado uma procura de tal modo que a produção total de poliÌmeros (em volume) superou a produção combinada de todos os metais de mais de 20 anos.
De onde veÌ‚m os poliÌmeros?
Para a formação dos poliÌmeros sinteÌticos, os monoÌ‚meros são obtidos a partir do petroÌleo ou do gaÌs natural, pois essa eÌ a rota mais barata. TambeÌm eÌ possiÌvel a obtenção de monoÌ‚meros a partir da madeira, do aÌlcool, do carvão e ateÌ do CO2, pois todas essas mateÌrias-primas são ricas em carbono, o aÌtomo principal que constitui os materiais polimeÌricos.
Essas uÌltimas possibilidades, contudo, aumentam o preço do monoÌ‚mero obtido. No passado, os monoÌ‚meros eram obtidos de resiÌduos do refino do petroÌleo. Hoje, o consumo de poliÌmeros eÌ tão elevado que esses resiÌduos de antigamente teÌ‚m que ser produzidos intencionalmente nas refinarias para atender aÌ€ demanda.
EÌ cada vez mais comum em nosso cotidiano a busca por soluções mais sustentaÌveis em diversas aÌreas, e com os materiais polimeÌricos isso não eÌ diferente. Nos uÌltimos anos veÌ‚m se buscando novas rotas de obtenção de materiais polimeÌricos e, dentro deste contexto, surgiram novos materiais, os quais apresentam as mesmas caracteriÌsticas que os poliÌmeros sinteÌticos; entretanto, como a sua siÌntese eÌ feita a partir de mateÌria-prima renovaÌvel, como plantas terrestres e aquaÌticas, microrganismos, eles são classificados como biopoliÌmeros, poliÌmeros sustentaÌveis ou poliÌmeros verdes. Neste caso, por exemplo, na nomenclatura dos poliÌmeros eÌ acrescentada a palavra “verde” seguido da sua nomenclatura original: PVC Verde, PP Verde, PE Verde.
Como eÌ formado um poliÌmero?
um poliÌmero eÌ formado de cadeias longas construiÌdas a partir de unidades que se repetem. Desta forma para melhor assimilação faz-se uma analogia destas cadeias com a corrente…

Esta corrente eÌ formada de elos ideÌ‚nticos que vão se repetindo ateÌ que se tenha uma longa corrente. De forma semelhante ocorre na formação dos poliÌmeros, nos quais cada elo corresponde a um mero. Assim, o conjunto total daÌ uma ideia de cadeia polimeÌrica.
Assim, “mero” denota a unidade repetida numa cadeia polimeÌrica, enquanto “monoÌ‚mero” eÌ usado no contexto de uma moleÌcula capaz de reagir para formar um uÌnico mero.
Como um poliÌmero eÌ obtido?
Um poliÌmero eÌ obtido a partir de um conjunto das reações quiÌmicas que provocam a forma ção dos meros e a união destes, por ligações covalentes, para a formação de cadeias macromoleculares que compõem o material polimeÌrico. Esta reação eÌ denominada polimerização.
Como visto anteriormente, os monoÌ‚meros (moleÌculas insaturadas estaÌveis) podem ser obtidos por meio de diferentes rotas, e quando estes são submetidos a condições especiÌficas de tempera- tura, pressão e meio, tornam-se disponiÌveis para novas ligações, que ao se ligarem formam cadeias polimeÌricas. Desta forma, os poliÌmeros apresentam uma massa molecular de ordem de centenas de milhares de unidades de massa atoÌ‚mica (acima de 103 moleÌculas grama).
O nuÌmero das uniões entre os meros eÌ que determina o grau de polimerização, que quase sempre excede vaÌrios milhares, influenciando diretamente nas propriedades fiÌsicas do produto. Geralmente, os poliÌmeros com maior grau de polimerização apresentam melhora nas propriedades fiÌsicas destes.
Exemplos muito simples de monoÌ‚meros são as moleÌculas do etileno, do estireno e do cloreto de vinila, que se combinam por meio de uma reação de polimerização para dar origem aos poliÌmeros polietileno, poliestireno e poli(cloreto de vinila) o PVC.
Os traços localizados entre cada aÌtomo configuram as ligações covalentes, caracteriÌsticas dos hidrocarbonetos; os raios vermelhos representam a quebra da ligação, e o elemento dentro da caixa de texto tracejada indica o mero que se repete ao longo da cadeia polimeÌrica.
As ligações podem ser simples (entre H e C e Cl), duplas (como entre os dois aÌtomos de carbono no etileno) ou, mais raramente, triplas (como entre os aÌtomos de carbono no acetileno). As moleÌculas que apresentam ligações duplas ou triplas são ditas insaturadas, pois os aÌtomos assim ligados ainda podem fazer mais uma ou duas ligações (no caso de ligações triplas) com outros aÌtomos. Quando uma moleÌcula insaturada tem a possibilidade de fazer mais duas ligações covalentes com outras moleÌculas, ela eÌ dita bifuncional. No caso de ter treÌ‚s ligações ativas, a moleÌcula eÌ chamada trifuncional. Com a efetivação destas duas ou treÌ‚s ligações com outros radicais, tais moleÌculas tornam-se saturadas e nenhum outro aÌtomo pode ser ligado aÌ€ estrutura sem que se remova algum outro jaÌ ligado.
Mesmo para os experientes, nem sempre eÌ faÌcil decifrar o significado dos nomes dados aos poliÌmeros. Isto eÌ porque, para um dado poliÌmero, pode-se ter ateÌ quatro diferentes tipos de nomes atribuiÌdos a ele: um nome sistemaÌtico, um nome de uma substaÌ‚ncia quiÌmica, um nome habitual e um comercial. TambeÌm eÌ bastante comum a abreviação do nome dos poliÌmeros. Esta abreviação segue normas internacionais, como, por exemplo: a norma ASTM D 4000.
Portanto, de maneira geral, a nomenclatura de um poliÌmero eÌ derivada do nome do monoÌ‚mero que o originou, e não do nome quiÌmico de sua unidade de repetição, juntamente com a palavra poli aÌ€ frente. Por exemplo, o etileno (monoÌ‚mero) daraÌ origem ao poli(etileno) – PE; o cloreto de vinila (monoÌ‚mero) daraÌ origem ao poli(cloreto de vinila) – PVC.
Quais os tipos de poliÌmeros?
Existe uma variedade muito grande de classificação dos poliÌmeros, mas de forma geral a induÌstria de transformação classifica-os subdividindo em treÌ‚s categorias principais: termoplaÌsticos, termofixos ou termoestaÌveis e elastoÌ‚meros (borrachas).
A classificação de um poliÌmero em termofixo ou termoplaÌstico determina tambeÌm qual o pro- cesso mais adequado para moldar o material. Em geral, os materiais termofixos possuem propriedades melhores que os termoplaÌsticos, tais como: maior resisteÌ‚ncia ao calor, menor suscetibilidade aÌ€ flueÌ‚ncia (creep), maior resisteÌ‚ncia quiÌmica, dentre outras. No entanto, eles normalmente requerem processos de fabricação mais complexos para serem produzidos.
TermoplaÌsticos
Os poliÌmeros classificados como termoplaÌsticos são aqueles compostos por moleÌculas de cadeias longas individuais (lineares ou ramificadas), sem apresentar ligação cruzada entre elas. EÌ por isso que peças produzidas a partir deste material amolecem quando são aquecidas. Este amolecimento eÌ devido ao fato de as ligações secundaÌrias (forças de Van der Walls) que ligam as cadeias umas aÌ€s outras se afastarem (acasionando o amolecimento) e romperem, promovendo a fusão do material, de modo que ele flui como um liÌquido viscoso, o que permite seu reprocesso. Isto eÌ, os produtos feitos a partir de termoplaÌsticos podem ser granulados e alimentados de volta para a maÌquina apropriada. Assim, diz-se que um poliÌmero termoplaÌstico pode ser mecanicamente reciclado ou pode passar por um processo de reciclagem primaÌria. O PVC eÌ um dos termoplaÌsticos juntamente com o polietileno e polipropileno.
Termofixos
Os termofixos, tambeÌm chamados de termoestaÌveis, termorriÌgidos ou termoenduresciÌveis, são aqueles poliÌmeros que apresentam cadeias ligadas covalentemente (presença de ligações covalentes que ligam as cadeias entre si, as chamadas ligações cruzadas) na forma de uma rede tridimensional infinita. Devido aÌ€ formação desta rede tridimensional, no qual as cadeias estão ligadas fortemente entre si por ligações covalentes (ligação de mesma força que da cadeia principal), os produtos produzidos a partir destes poliÌmeros não amolecem e nem fundem apoÌs serem aquecidos. AleÌm disso, o aquecimento excessivo faz com que ele se decomponha.
Ao se analisar o tipo de ligação que une as cadeias (intra e intermolecular), fica evidente que os termofixos não podem ser reprocessados e realimentados em uma maÌquina especiÌfica de processa- mento. Assim, diz-se que os termofixos são infusiÌveis e não reciclaÌveis mecanicamente. PoreÌm, eles podem ser reciclados quimicamente e energeticamente. As resinas epoÌxi e polieÌsteres são os poliÌmeros termofixos amplamente usados como matrizes na produção de peças reforçadas com fibras, como pranchas de surf, orelhões, skates e outros.
Um termofixo de uso comum eÌ o cianoacrilato, tambeÌm conhecido popularmente por super-cola e pelo nome não geneÌrico Super Bonder, eÌ um tipo de adesivo criado acidentalmente em 1942 por Harry Coover durante experieÌ‚ncias visando aÌ€ criação de um poliÌmero transparente. Produtos contendo basicamente cianocrialato são comercializados como colas instantaÌ‚neas de ampla utilidade, sendo o Super Bonder, da Henkel, um dos pioneiros no Brasil e, portanto, um sinoÌ‚nimo popular para este tipo de produto. O mesmo acontece em Portugal, com a Super Cola 3.
Elastômeros
Os elastoÌ‚meros, popularmente conhecidos como borrachas, são poliÌmeros que apresentem cadeias ligadas na forma de redes tridimensionais mais fracas que os termofixos, isto eÌ, tem-se uma menor densidade de ligações cruzadas, deixando as cadeias mais livres, proporcionando que as estas se estendam quando submetidas a forças de tração e retornem aÌ€s dimensões originais quando essas forças são removidas, isto eÌ, as ligações cruzadas fornecerem a “memoÌria” do material para que ele retorne aÌ€ sua forma original. De forma semelhante aos termofixos, os elastoÌ‚meros (borrachas) não podem ser reprocessados e sua reciclagem mecaÌ‚nica não eÌ possiÌvel, podendo ser recicladas quimicamente e energeticamente.
A propriedade predominante dos elastoÌ‚meros eÌ o comportamento elaÌstico apoÌs deformação em compressão ou tração. EÌ possiÌvel, por exemplo, esticar um elastoÌ‚mero ateÌ dez vezes o seu comprimento inicial e, apoÌs remoção da tensão aplicada, verificar que ele voltaraÌ, sob circunstaÌ‚ncias ideais, aÌ€ forma e ao comprimento originais.
O perfil das propriedades que pode ser obtido depende fundamentalmente do elastoÌ‚mero escolhido, da formulação do composto utilizado, do processo de produção e da forma e desenho do produto. As propriedades que definem um elastoÌ‚mero soÌ podem ser obtidas usando compostos adequada- mente formulados e apoÌs vulcanização subsequente.
ElastoÌ‚meros, ou borrachas, são classes de materiais que, como os metais, as fibras, as madeiras, os plaÌsticos ou o vidro são imprescindiÌveis aÌ€ tecnologia moderna.
Relativamente ao termo borracha, que abrange um grande nuÌmero de compostos macromoleculares que podem ser reticulaÌveis para formar estrutu- ras tridimensionais, deve referir-se que eÌ usual dizer-se que “a borracha, mateÌria-prima, estaÌ para os compostos de borracha assim como a farinha estaÌ para o pão”, pretendendo-se assim frisar que, apesar de a escolha dos aditivos utilizados e a quantidade usada de cada um deles num composto poderem originar variações consideraÌveis nas propriedades do produto final, a caracteriÌstica determinante eÌ dada pela borracha utilizada nesse composto.
O termo “borracha” tinha inicialmente por significado somente borracha natural, e o termo “vulcanização”, somente reticulação com enxofre. Face ao aparecimento de muitas borrachas sinteÌti- cas e de novos sistemas de reticulação, o alcance daqueles termos foi alargado, para que passem a ser termos geneÌricos.
A borracha deve ser predominantemente amorfa à temperatura ambiente, para que a flexibilidade da cadeia não seja inibida pela cristalização. Isto conduz aos requisitos adicionais:
- A temperatura de transição viÌtrea, Tg, deve ser inferior a -50 °C;
- Deve haver uma interação entre cadeias moleculares, para que não se possam mover de uma forma inteiramente livre e independente. Nas borrachas vulcanizadas, haÌ uma interação adicional devida aÌ€ formação de pontes intermoleculares (ligação quiÌmica que reduz a mobilidade das cadeias), as quais melhoram a resisteÌ‚ncia aÌ€ tração e a elasticidade;
- Devem ter uma distribuição do peso molecular tão larga quanto possiÌvel, para que possam ser processadas utilizando as maÌquinas convencionais.
O PVC
O PVC (poli cloreto de polivinila) é uma combinação química (polimerização) de carbono, hidrogênio e cloro. Os seus componentes provêm do petróleo (43%) e do sal (57%). Obtém-se por polimerização do cloreto de vinila cuja obtenção é realizada a partir do cloro e do etileno. É um material termoplástico, ou seja, sob a ação do calor (140 a 205ºC) amolece, podendo facilmente moldar-se; quando esfria, recupera a consistência inicial conservando a nova forma. Devido a essa característica é possível realizar com ele o processo de extrusão.
O esquema a seguir mostra o processo de fabricação do PVC a partir das matérias-primas utilizadas.

O que é polimerização?
É o nome dado a reação química que dá origem aos polímeros, significa dizer que os monômeros, que são as unidades estruturais, ao se unirem em grande quantidade dão origem a macromoléculas que chamamos de polímeros. A polimerização pode ocorrer de três formas: Polímeros de Adição, Polímeros de Condensação, quando se une os mesmos monômeros ou os Copolímeros, obtidos por adição ou condensação, porém de monômeros diferentes.

O que é extrusão?
Trata-se de um processo mecânico de produção de componentes (neste caso perfis) de forma contínua, onde o material é forçado através de uma matriz, adquirindo assim a forma planejada previamente para a peça. O PVC, por se tratar de um polímero termoplástico, isso é que amolece ao ser aquecido é extrusado pelo método hidrostático fluído a fluído, dando origem a tubo ou perfis.

Controle de Qualidade
Os produtos fabricados a partir do PVC devem obedecer padrões de qualidade técnica, para manter sua estabilidade e conformidade dimensional. Muito devido a este trabalho se deve a motivação para seu constante crescimento no mercado. Entre as caracteristicas alcançadas pelo PVC, e comuns do material vale mencionar:
- Isolante térmico e elétrico
- Estabilidade dimensional
- Estabilidade de cor
- Resistência aos agentes atmosféricos, biológicos e químicos
- Perante ao fogo é auto-extinguível, e não propaga chamas
- Reciclável a baixo custo
Nenhum outro grupo de materiais se desenvolveu em tão pouco tempo e com tanta força como os materiais plásticos. A indústria da construção civil já não é mais capaz de abrir mão deles, fazendo uso de suas propriedades de isolamento até sua resistência à corrosão, aproveitando o seu peso reduzido, e ainda sua insensibilidade à umidade e durabilidade quase etaerna. Estas duas últimas qualidades são particularmente importantes quando falamos em fachadas (parte externa dos imóveis), propriedade que só é atingida de forma semelhante por outros materiais, quando estes recebem tratamentos eséciais, sejam químicos ou de contato, e é importante lembrar que estes tratamentos (pintura, anodizção...) necessitam de manutenção periódica em mais ou menos tempo.
O PVC ao chegar ao mercado de janelas, trouxe de sua origem suas propriedades já descritas, um diferencial de eficiência à parte mais frágil da construção, o fechamento dos vãos. Sendo assim, ele conquistou mercado mundialmente calçado no fornecimento de qualidade e desempenho superiores com valor compatível aos benefícios.
Exemplos de materiais produzidos com PVC:
Móveis, canos, roupas, brinquedos, cartões de crédito, caixa dágua, telhas, material escolar, embalagens, sapatos...

Propriedades físicas do PVC
PVC, PE, PP e PS são plásticos de uso geral. As características do plástico são determinadas pela sua composição química e tipo de estrutura molecular (formação molecular: estrutura cristalina / amorfa)
O PVC tem uma estrutura amorfa com átomos de cloro polares na estrutura molecular. Tendo átomos de cloro e a estrutura molecular amorfa são inseparáveis. Embora os plásticos parecerem muito semelhantes no contexto do uso diário, o PVC possui características completamente diferentes em termos de desempenho e funções em comparação com os plásticos que possuem apenas átomos de carbono e hidrogênio em suas estruturas moleculares.

Estruturas moleculares dos plásticos comuns
A estabilidade química é uma característica comum entre substâncias que contêm halogênios, como cloro e flúor. Isto aplica-se a resinas de PVC, que, além disso, possuem propriedades retardadoras de fogo, durabilidade e resistência química.
Propriedades retardadoras de fogo
O PVC possui inerentemente propriedades superiores de retardamento de fogo devido ao seu teor de cloro, mesmo na ausência de retardadores de fogo. A temperatura de ignição do PVC é alta (455° C), tornando-o um material com menos risco para incidentes de incêndio, uma vez que não é inflamado facilmente.

Temperatura de ignição do PVC
Além disso, o calor liberado na queima é consideravelmente menor com PVC quando comparado com PE e PP por exemplo. O PVC, portanto, contribui muito menos para espalhar o fogo para materiais próximos, mesmo ao queimar.

gráfico de liberação de calor máximo
Portanto, o PVC é muito adequado por razões de segurança em produtos próximos ao cotidiano das pessoas, principalmente na construção civil.

gráfico de vida útil/durabilidade do PVC
Durabilidade
Em condições normais de uso, o fator que mais influencia a durabilidade de um material é a resistência à oxidação pelo oxigênio atmosférico. O PVC, com a estrutura molecular onde o átomo de cloro está ligado a todas as outras cadeias de carbono, é altamente resistente às reações oxidativas e mantém seu desempenho por um longo período de tempo. Outros plásticos de uso geral com estruturas constituídas apenas por carbono e hidrogênio são mais suscetíveis à deterioração por oxidação em condições de uso prolongado (como, por exemplo, através de reciclagem repetida). As medições em tubos subterrâneos de PVC de 35 anos de idade, tomadas pela Japan PVC Pipe & Fittings Association, não apresentaram deterioração e tinham mesma força que os novos tubos
A pesquisa na Alemanha (60 Jahre Erfahrungen mit Rohrleitungen aus Weichmachfreiem PVC, 1995, KRV) mostrou que os tubos enterrados no solo desenterrados após 60 anos de uso ativo quando analisados ​​foram comprovadamente adequados e propícios a uma expectativa de vida adicional de 50 anos. Quase nenhuma deterioração foi observada após a recuperação de três tipos de acessórios de automóveis (produtos de PVC flexíveis que utilizam proteção) após 13 anos de uso em comparação de propriedades físicas com novos produtos.

gráfico da propriedades físicas em estudo com peças de automóveis.
Resistência a química
O PVC é resistente a ácidos, alcalinos e quase todos inorgânicos. Embora o PVC inche ou se dissolva em hidrocarbonetos aromáticos, cetonas e éteres cíclicos, o PVC é difícil de dissolver em outros solventes orgânicos. Aproveitando esta característica, o PVC é usado em dutos de gases de escape, folhas usadas em construção, garrafas, tubos e mangueiras.
Estabilidade mecânica
O PVC é um material quimicamente estável, que mostra pouca mudança na estrutura molecular, e também exibe pouca mudança em sua resistência mecânica. No entanto, os polímeros de cadeia longa são materiais viscoelásticos e podem ser deformados por aplicação contínua da força exterior, mesmo que a força aplicada esteja bem abaixo do seu ponto de cedência. Isso é chamado de deformação de fluência. Embora o PVC seja um material viscoelástico, a sua deformação é muito baixa em comparação com outros plásticos devido ao movimento molecular limitado à temperatura normal, em comparação com o PE e o PP, que apresentam maior movimento molecular em suas seções amorfas.
Um estudo europeu sobre tubos de PVC muito antigos - produzido entre os anos 1930 e 1950 - mostrou uma vida útil de 50 anos e excelentes características de durabilidade (T Hulsmann, European Vinyls Corporation e R Novak ALPHACAN Omniplast GmbH). É esperado que os tubos de PVC mais modernos durem significativamente mais - provavelmente até mais que 100 anos.

